A participação do jovem Arthur Wanacari Kaxarari no Campeonato Brasileiro de Judô Sub-13 pode representar um marco histórico para o esporte brasileiro e para os povos originários. Integrante da etnia Kaxarari, o atleta de apenas 11 anos representou Rondônia na competição organizada pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ), levando aos tatames muito mais do que talento esportivo: levou consigo a identidade, a cultura e o orgulho de seu povo.
Embora não exista confirmação oficial, Arthur pode ter sido o primeiro indígena a disputar um Campeonato Brasileiro de Judô promovido pela CBJ. A informação, no entanto, permanece em aberto devido à inexistência de registros sobre a etnia dos atletas inscritos na competição ao longo da história.
Segundo a própria estrutura de inscrições da modalidade, os atletas são cadastrados pelas federações estaduais e a etnia não faz parte dos dados coletados pela Confederação Brasileira de Judô. Dessa forma, a entidade não possui estatísticas ou banco de dados capazes de confirmar ou descartar esse possível feito histórico.
Talento desenvolvido desde a infância
Arthur iniciou no judô aos quatro anos de idade. Desde então, construiu uma trajetória marcada por dedicação, disciplina e muito treinamento. O esporte rapidamente se tornou parte de sua rotina, proporcionando desenvolvimento físico, emocional e social.
Com apenas 11 anos, o judoca conquistou o direito de representar Rondônia em uma das mais importantes competições nacionais da modalidade, resultado de seu desempenho nas etapas classificatórias e do trabalho desenvolvido ao lado de treinadores, familiares e da comunidade.
Sua participação demonstra que o esporte pode romper barreiras geográficas, sociais e culturais, permitindo que jovens indígenas alcancem espaços de destaque em competições de alto nível.
Ausência de registros oficiais
Levantamentos realizados até o momento apontam registros de atletas indígenas participando de campeonatos escolares, estaduais e regionais em diferentes partes do país. Entretanto, não foram encontrados registros públicos de indígenas que tenham disputado anteriormente Campeonatos Brasileiros organizados pela Confederação Brasileira de Judô.
A ausência desse histórico documental impede qualquer afirmação definitiva sobre o pioneirismo de Arthur. Ainda assim, especialistas destacam que a falta de catalogação da origem étnica dos atletas evidencia uma lacuna histórica nos registros esportivos nacionais.
Um símbolo para os povos originários
Independentemente de uma confirmação oficial sobre o pioneirismo, Arthur Wanacari Kaxarari já se tornou um símbolo de representatividade para o povo Kaxarari e para Rondônia.
Sua presença em um Campeonato Brasileiro inspira outras crianças indígenas a acreditarem que o esporte pode ser um instrumento de inclusão, valorização cultural e transformação social. Ao vestir o quimono e representar seu estado, Arthur também representou a força e a resistência dos povos originários brasileiros.
Mais do que uma possível marca inédita, sua trajetória demonstra que talento, dedicação e oportunidade podem abrir caminhos para novas gerações de atletas indígenas em competições nacionais.
Caso a participação pioneira seja confirmada futuramente por meio de pesquisas históricas ou levantamento documental, Arthur poderá ocupar um lugar de destaque na história do judô brasileiro. Até lá, sua presença no Campeonato Brasileiro Sub-13 já é motivo de orgulho para Rondônia, para o povo Kaxarari e para todos aqueles que acreditam no esporte como ferramenta de inclusão e transformação.
Conheça a AAMEPA (Associação de Artes Marciais e Esportes da Ponta do Abunã)
A AAMEPA nasceu de uma realidade difícil.
Em nossa região, praticamente não havia opções estruturadas de esporte para crianças e jovens. O judô, que já existiu um dia, havia desaparecido. O que predominava era apenas o futebol, sem outras alternativas que trabalhassem disciplina, respeito e formação pessoal.
Diante disso, decidimos agir.
Começamos do zero, com muita dificuldade, mas com um propósito claro: resgatar o judô e oferecer às crianças uma oportunidade real de desenvolvimento. Com o tempo, conseguimos não apenas retomar o judô, mas também iniciar o jiu-jitsu — uma modalidade que nunca havia existido na região.
Hoje, essas atividades têm um papel fundamental na vida das crianças, mantendo elas ocupadas, disciplinadas e focadas. Atendemos inclusive crianças com autismo e TDAH, que encontram nas artes marciais um caminho importante para desenvolvimento, equilíbrio e socialização.
Em outubro do ano passado, realizamos um grande evento de judô, reunindo cerca de 100 atletas. Esse evento só foi possível graças à parceria com a Prefeitura, por meio da Secretaria de Esporte, que disponibilizou a estrutura necessária, incluindo tatames. Essa parceria foi fundamental e mostrou o impacto positivo que o esporte pode gerar quando há apoio.
Mesmo com todas as dificuldades, nossos atletas vêm se destacando. Já são dois anos consecutivos conquistando vagas para competições de nível nacional, demonstrando o comprometimento e a seriedade do trabalho realizado.
A associação foi criada justamente para enfrentar os principais desafios que hoje limitam o crescimento do projeto, principalmente a questão da logística e da falta de acesso a equipamentos básicos. A distância da região dificulta o transporte dos alunos para competições e eventos, sendo esse um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento dos atletas.
Além disso, a associação também surge com o objetivo de buscar recursos para aquisição de quimonos para crianças de baixa renda, permitindo que mais alunos permaneçam no projeto e não abandonem a prática por falta de condições.
Situação atual por localidade:
– Extrema: o judô está forte, com aproximadamente 60 alunos. No entanto, já tivemos um número maior de participantes e enfrentamos uma evasão significativa, principalmente pela dificuldade das famílias em adquirir quimonos.
O jiu-jitsu ainda está em fase inicial, com cerca de 10 alunos, pois contamos apenas com um professor faixa roxa, que atua de forma voluntária. Para o crescimento da modalidade, é fundamental a estruturação para trazer um professor mais experiente.
– Vista Alegre: o jiu-jitsu vem crescendo de forma consistente, atualmente com cerca de 55 alunos, após a chegada de um professor vindo do Amazonas. O judô também está presente, com aproximadamente 40 alunos, e precisa ser fortalecido para acompanhar o crescimento da região.
– Nova Califórnia: atualmente não há oferta de artes marciais, apesar da demanda existente. Há necessidade de iniciar esse trabalho na localidade.
Principal desafio:
A maior dificuldade hoje é a logística.
Nossa região é distante, tudo é longe, o transporte é caro e de difícil acesso. Para levar nossos atletas às competições, precisamos constantemente recorrer a rifas, doações e apoio da comunidade.
Mesmo diante dessas dificuldades, seguimos trabalhando para que nenhuma criança fique de fora e para que todos tenham a oportunidade de participar.
Objetivo:
Fortalecer o trabalho que já está em crescimento, ampliar o acesso às artes marciais e estruturar melhor as modalidades, garantindo continuidade, qualidade e oportunidades para as crianças e jovens da região.
Além disso, buscamos apoio para a realização de eventos locais, fundamentais para fomentar o judô e o jiu-jitsu, e para fortalecer ainda mais a integração esportiva entre as comunidades.
A parceria com a Secretaria de Esporte é essencial para dar continuidade a esse trabalho e ampliar o impacto positivo já alcançado.
Nos colocamos à disposição para apresentar pessoalmente o projeto e demonstrar de perto a realidade e os resultados que já vêm sendo construídos.
Atenciosamente,
Adriano – Presidente da AAMEPA
Fonte: Rondônia em Foco com informações de Adriano Bersani




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